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O Foto em Pauta retomou as suas atividades em 2006 trazendo o Fotográfo André Cypriano lançando o livro Rocinha. A obra, em edição bilíngüe (português/inglês), traz 100 fotos que mostram o dia-a-dia da conhecida favela carioca, a maior do Brasil.

André Cypriano é paulistano e vive nos Estados Unidos desde 1990. Realiza vários projetos que são expostos em galerias e museus no Brasil, Europa e EUA. Cypriano ganhou diversos prêmios por suas obras, como o Portrait Excellence Award (julho 1996), o New Works Awards (julho de 1998), o Mother Jones International Fund for Documentary Photography (junho de 1999) e o Bolsa Vitae de Artes em São Paulo (janeiro de 2002).
Como parte de um projeto de longo prazo, Cypriano começou a documentar estilos de vida e práticas de sociedades em lugares menos conhecidos nos remotos cantos do mundo, com uma tendência para o raro e extraordinário. Ele fotografou o povo de Nias, na costa oeste da Sumatra (Nias: Pulando Pedras), práticas de rituais em Bali (Bali: Uma Busca Espiritual) e a penitenciária Candido Mendes, na Ilha Grande, Rio de Janeiro (O Caldeirão do Diabo). Seus documentários fotográficos têm sido usados em seminários educativos. Atualmente, trabalha como fotógrafo free lancer em Nova York e continua envolvido em projetos sociais e culturais.
Rocinha
o livro Rocinha é um projeto especial que retrata a vida na favela. Realizadas entre 1999 e 2000, as fotos revelam a vida dos moradores, a arquitetura local e os momentos de lazer e trabalho de uma das maiores comunidades do Brasil. O livro, com imagens em preto e branco, retrata as surpresas encontradas na favela que escapam aos olhares de cariocas e brasileiros. O livro mostra o contraste entre a felicidade e a tristeza, as leis internas da “cidade independente” que tem códigos próprios. “Procurei mostrar o sentimento dos habitantes da Rocinha, os aspectos culturais e arquitetônicos de uma favela que é rica em personagens, que vive intensamente. Muita gente interpreta mal a essa comunidade, porque desconhece seu cotidiano. Quero mostrar a dicotomia entre a belo e o feio, a tristeza e a alegria, o amor e o ódio, que é tão presente”, afirma Cypriano.
Para produzir o livro, o autor morou 30 dias na favela, além de fazer mais de 200 visitas posteriores à Rocinha. A idéia do trabalho surgiu quando Cypriano preparava o livro Caldeirão do Diabo, sobre o presídio Candido Mendes, em Ilha Grande, Rio de Janeiro. Recebeu, na época, o convite de Paulinho, um presidiário e residente da favela. “Ele me chamou para fazer um documentário na Rocinha, comunidade onde nasceu, para mostrar a felicidade que às vezes existe no meio do desespero econômico. O que encontrei, foi um pouco mais complexo que felicidade”, diz o fotógrafo na introdução da obra.
Rocinha é um documentário sobre a sociedade carioca, cuja matéria-prima são as imagens. “Cypriano não se demora numa tese conceitual sobre a Rocinha. É a intensidade de seu olhar que mobiliza. Os olhos do visitante fotógrafo buscam os olhos dos moradores. Alguns não respondem, incapazes que estão. Muitos, porém, devolvem o convite, deixando-se visitar sem pudor. São crianças brincalhonas, rapazes atléticos, moças que, no olhar, escondem o seu interior. Várias fotografias mostram os moradores da Rocinha a contemplar sua paisagem”, completa o sociólogo Rubem César Fernandes.
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